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Explorando a mente:
Potêncial terapêutico dos psicodélicos

“A expectativa é de que a Ayahuasca fosse fazer mudanças revolucionárias na minha vida”, enfatiza a estudante universitária Maria Clara, lembrando dos dias antes de tomar o chá pela primeira vez. Ela conta que cresceu na igreja católica, mas que sentiu sua curiosidade aumentar ao descobrir a medicina de origem indígena.


A exploração mais aprofundada do tema resultou em uma indecisão persistente, que só encontrou solução por meio de um convite oportuno de uma amiga para participar da consagração do chá. No fim, ambas foram ao Templo Polimata, um santuário sem religião definida, onde todo fim de semana a Ayahuasca é consagrada em diferentes rituais.


O medo da experiência, entretanto, não havia desaparecido completamente. “Não tem relato tão fiel que ajude a entender melhor a experiência antes de consagrar”, adverte Maria. No templo, ela narra que se deparou com uma atmosfera acolhedora de pessoas que também estavam lá para consagrar a mistura amarga feita há milênios misturando o cipó Mariri e a folha da Chacrona. Alguns, já mais experientes, contaram para ela que a Ayahuasca é como uma mãe que te faz encarar seus problemas de uma forma talvez bruta, mas carinhosa, visando a melhora.


Aos 22 anos, a estudante se apegava à possibilidade de ver uma melhora nos seus relacionamentos familiares e amorosos. Ao tomar o chá, ela conta que passou pela “limpeza”, parte do ritual em que algumas pessoas podem vomitar ou ter diarréia devido ao possível desconforto gástrico que a mistura causa. “Fiquei boa parte do tempo dentro do templo tentando meditar, não consegui porque eu falo muito, então eu conversei bastante”, brinca.

Durante o tempo em que esteve sob o pico do efeito do chá, Maria viu muita coisa. “Eram luzes estranhas, luzes em forma de pessoa, bem luminosas, e ao lado delas as memórias do passado: rompimentos de amizade, momentos em que você tá tendo um auto-ódio muito intenso, e você se questiona porque você reagiu daquela forma”, ela detalha, contemplativa.


Naquele momento, ela conseguiu enxergar mesmo os momentos mais difíceis de uma forma pacífica, muitas vezes até tentando entender o motivo por trás de sua aparição. Suas semanas depois da experiência também acabaram sendo repletas de pequenas epifanias, nas quais ela passava a reconhecer alguns de seus comportamentos como negativos, abrindo uma brecha para possíveis mudanças.


“A Ayahuasca é basicamente isso né? Uma ferramenta de autoconhecimento,  uma medicina de cura”, analisa Maria com base nas suas experiências. Esse pensamento, no entanto, não é exclusivo dela. A Ayahuasca foi descoberta pelos povos indígenas há mais de mil anos, e desde então esteve presente na cultura, nos rituais e na medicina de diversas comunidades.


No nosso país ela foi amplamente utilizada por povos da região amazônica. É incerto se um dia historiadores descobrirão como, há tanto tempo, povos originários da América do Sul resolveram ferver juntos o cipó-mariri e a folha da árvore chacrona, chegando ao chá hoje conhecido como Ayahuasca, daime ou hoasca.

I Proibição

Aos olhos da ciência, a dimetiltriptamina (DMT), presente no cipó, é um dos psicodélicos clássicos. Isso implica em dizer que ela é uma substância que tem uma estrutura parecida com a serotonina, o neurotransmissor presente no cérebro que está envolvida na modulação da maior parte dos processos comportamentais humanos e comumente associada à alegria. Nessa lista estão também a Psilocibina, dos conhecidos cogumelos mágicos, e a dietilamida do ácido lisérgico (LSD).


Com exceção do LSD, sintetizado apenas no século passado, tanto os cogumelos mágicos, quanto a Ayahuasca, são utilizados como ferramenta e medicina por diversos povos há séculos. Esse histórico instigou uma onda de pesquisas feitas na década de 60 dentro das comunidades científicas estadunidenses e européias, sobretudo na área da psiquiatria.


Essas pesquisas, todavia, seriam interrompidas pela onda de proibicionismo que surgiu na década de 70. Essa política se intensificou nos Estados Unidos, com o presidente Nixon declarando publicamente a intenção de travar uma ofensiva global contra o uso de drogas, popularmente conhecida como “guerra às drogas”, termo popularizado pela mídia da época. 

Segundo Henrique Carneiro, professor de História da USP especializado em História Moderna, a guerra citada tinha fortes motivações políticas. “O uso dos psicodélicos foi uma espécie de revolta contracultural da juventude, especialmente contra uma cultura que propagava o álcool, o tabaco e defendia a Guerra do Vietnã e a manutenção de uma sociedade tradicional extremamente repressiva”, esclarece o historiador.


Nos anos que se seguiram, o mundo veria a proibição de diversas substâncias, afetando, inclusive, os psicodélicos. Estes só voltariam ao meio científico anos depois.

I Chá Antidepressivo

“As primeiras evidências que nós temos do benefício terapêutico da Ayahuasca vêm de estudos que foram feitos em comunidades ayahuasqueiras”, fundamenta Dráulio Barros de Araújo. Dráulio é pesquisador e professor titular no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Ele também é um dos responsáveis por algumas das mais importantes pesquisas com psicodélicos no Brasil.


O pesquisador articula que o estudo apontado procurou comparar a presença de psicopatologias, transtornos mentais, como ansiedade e depressão, e uso abusivo de substâncias nessas comunidades. “O que eles encontraram foi que nas comunidades ayahuasqueiras não existia um aumento do risco de morte, e que, do ponto de vista da saúde mental, aquelas comunidades ayahuasqueiras se mostravam mais saudáveis do que as comunidades que não tomavam o chá”, argumenta.


Esse foi um norte tanto para a inserção da Ayahuasca no contexto urbano contemporâneo, como para a possibilidade de utilizá-la como remédio dentro do contexto clínico. No Instituto do Cérebro a equipe de Dráulio desenvolveu um projeto que buscou examinar os efeitos antidepressivos da Ayahuasca em pacientes com depressão resistente a tratamento.


“Não tem overdose, não mata, os efeitos sobre o nosso sistema autonômico, por exemplo, são sutis. Não há risco de uma parada respiratória que é o que geralmente outras drogas de abuso promovem, como o álcool, a cocaína ou o crack ", constata Dráulio. Apesar disso, a Ayahuasca é segura no contexto ritualístico, onde esteve presente há séculos. O primeiro passo foi confirmar que ela ainda fosse segura dentro de hospitais, com pessoas que nunca tinham tido contato com a substância.


Ao falar de substâncias psicoativas, que modificam o funcionamento do cérebro (como café, álcool e os psicodélicos), é preciso compreender os conceitos de set e setting. O “set” se trata da personalidade, mentalidade e intenção da pessoa ao utilizar um psicoativo, já o “setting” se refere ao contexto social, cultural e ao ambiente em que a experiência ocorre. Ambos são fatores que, assim como a dose, alteram a resposta do indivíduo à dose ingerida. Ela explica, por exemplo, a diferença entre ingerir álcool numa festa cheia comparado a ingerir a mesma quantidade em casa, onde há pouca companhia.

Efeito no hospital - Dráulio B. Araújo
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No caso dos psicodélicos essas ideias são ainda mais importantes, já que a experiência é introspectiva e exclusiva para cada pessoa. O que a equipe do Instituto do Cérebro fez, então, foi observar elementos do meio ritualístico e replicá-los no hospital. O laboratório disponibilizou psicólogos, que ficavam à disposição de quem tomava o chá, e proporcionou um ambiente seguro para a experiência.


“Se você tiver aquela vespinha na sua cabeça, soprando no ouvido que talvez você não esteja num lugar ou com uma pessoa apropriada para fazer aquela experiência, essa vespinha vira uma abelha, a abelha vira um marimbondo e vai piorando”, reforça o professor. 

A segunda parte do estudo foi realizada com pacientes que tinham depressão. Nesse estágio se comprovou a segurança de ministrar Ayahuasca para esse grupo, além de avaliar os primeiros indícios de ação antidepressiva do psicodélico.  Essa fase mostrou um efeito significativo do chá nos pacientes, no entanto, não considerou o efeito placebo, que é relevante em ensaios clínicos para depressão.


O próximo passo foi separar os pacientes em dois grupos, um que tomaria a Ayahuasca e o outro um placebo que imitava seu sabor amargo e também causava desconforto gástrico. O estudo recolheu amostras de sangue, saliva um dia antes e um dia depois da intervenção com uma dose da mistura. Além disso, foram feitos questionários antes, durante e depois da experiência, num modelo em que nem pesquisador nem paciente sabiam quem realmente estavam tomando Ayahuasca.


No fim, o que os resultados mostraram foi que houve uma melhora mais expressiva entre os pacientes que de fato beberam o chá. Dentre os que ingeriram o placebo, a equipe de Dráulio constatou que a melhora foi menor em comparação, além de ter sido passageira.


“Um dia depois da intervenção com Ayahuasca a gente já observou um efeito antidepressivo. Isso é muito importante do ponto de vista clínico, porque todas as medicações antidepressivas que a gente tem hoje no mercado demoram da ordem de 15 dias para começar a fazer efeito”, destaca o cientista. Além de imediato, o efeito se mostrou duradouro, durando pelo menos os sete dias em que os pacientes ficaram sob observação.

Individualização da experiência - Dráulio B. Araújo
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I Terapia assistida por cogumelo

Fora do Rio Grande do Norte, há pesquisas acontecendo em diversas universidades brasileiras, talvez uma das mais produtivas sendo a Universidade de São Paulo (USP), especificamente no campus de Ribeirão Preto. Neste ano, por exemplo, pesquisadores do campus da USP, em colaboração com a finlandesa Universidade de Helsinque, publicaram na revista Nature Neuroscience um estudo que  comprova que psicodélicos como a Psilocibina promovem a neuroplasticidade.


Pense numa orquestra: são dezenas de instrumentos, e uma quantidade ainda maior de instrumentistas, e todos regidos pelo maestro. Com cérebro como maestro e os neurônios como instrumentos, a tendência é que com o tempo a orquestra toque sempre as mesmas músicas, até deixando alguns instrumentos de lado. Isso é a Rede de Modo Padrão (DMN, na sigla em inglês),  um sistema que modula o pensamento. Seu objetivo é otimizar como o cérebro gasta sua energia, possibilitando que boa parte das decisões do dia-a-dia sejam feitas no automático.

No entanto, em pessoas com depressão ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), a DMN é mais forte, por vezes fazendo com que elas caiam em ciclos de pensamentos repetitivos dos quais é difícil se livrar. Os psicodélicos têm o potencial de tirar partituras prontas do maestro, o que lhe dá a possibilidade de criar novas melodias utilizando instrumentos antes deixados de lado. 


Esse aspecto dos psicodélicos é um dos motivos por trás do seu potencial terapêutico. Quando Maria Clara, no seu relato, fala sobre a Ayahuasca ter mostrado a ela momentos difíceis do seu passado de uma forma pacífica, a ciência diria que a promoção de neuroplasticidade promoveu novas conexões entre diferentes partes  do seu cérebro. Isso significa dizer que o DMT, do chá, possibilitou que ela enxergasse traumas sob outra perspectiva e revisse comportamentos que antes seriam automáticos.


Outro estudo da USP que merece destaque é o coordenado por Renato Filev, pós-doutorando pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD) da UNIFESP, que atualmente investiga o potencial do uso de cogumelos mágicos (Psilocybe cubensis) no tratamento do vício em tabaco. A forma como o seu estudo foi estruturado se baseia em protocolos estabelecidos na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, um modelo de terapia assistida por psicodélicos (PAP, na sigla em inglês).

O pesquisador conta ter optado pelo uso de cogumelos, e não pela Psilocibina pura, pelo seu fácil acesso. “Não queria ter que depender da universidade para importar uma substância, então vou fazer com cogumelo, que eu consigo em parceria com universidades que o produzem”, admite Renato. 


Apesar do princípio ativo puro do cogumelo, a Psilocibina, ser uma substância proscrita no Brasil, o cogumelo em si não é ilegal. Isso facilitou o andamento do estudo além de proporcionar comparações entre resultados de pesquisas que utilizaram a Psilocibina pura com este, que utilizou o cogumelo natural.
 

Ao todo foram 15 participantes no estudo, no qual todos passaram por 12 encontros com a equipe de pesquisa. O primeiro foi uma triagem física e psicológica que exclui do estudo participantes que tivessem transtorno psicótico, transtorno afetivo bipolar ou que tivessem tido mais de 10 experiências com psicodélicos.
 

Os encontros restantes eram divididos entre sessões de terapia e 2 sessões em que os pacientes ingeriam os cogumelos. “Nós preparamos o ambiente da sala para ficar um pouco mais aconchegante e o participante permanece ali por 5 a 6 horas sendo observado por uma equipe terapêutica”, explica o coordenador. Nesse momento o papel da equipe, um psicólogo e um psiquiatra, é observar e responder perguntas do participante caso necessário, fazendo o participante se sentir seguro e acolhido.
 

Os participantes ingeriam 2 gramas de cogumelo na primeira vez e na segunda podiam optar por ingerir a mesma quantidade, 3 gramas ou não ingerir, caso sentissem que seu objetivo foi alcançado. No dia que seguia as experiências com o cogumelo, o participante se encontrava com a equipe para fazer uma reflexão sobre o que viveu.”Fazer essa reflexão sobre a intencionalidade auxilia a pessoa a tentar integrar o que ela viveu. Alguns participantes, por exemplo, sentiram, ao longo da experiência, cheiro de fumaça e esse cheiro dava náusea nele, então ele associou o cheiro de fumaça à náusea.”, narra Renato.

I Ibogaína e o abuso de drogas

“A minha função no tratamento com Ibogaína é a função de um clínico, ou seja, cuidar do paciente sob o efeito da substância”, afirma o médico Bruno Rasmussen. Há 29 anos Bruno trabalha com a Ibogaína no tratamento de dependência química e abuso de drogas. Seu foco, como profissional da saúde, era a clínica geral e a gastroenterologia, isso começou a mudar, no entanto, quando um amigo próximo foi para o exterior tratar sua dependência com a  planta de origem africana.
 

Sua surpresa foi grande ao acompanhar a melhora do amigo e as mudanças que este implementou na própria vida. Daí em diante, passou a recomendar o tratamento a outras pessoas. “Um dia, a mãe de um rapaz para quem eu tinha indicado esse tratamento me sugeriu descobrir se não haveria como importar esse remédio. Eu fui atrás e descobri que, sim, é possível”, narra ele.
 

A Ibogaína não é registrada no Brasil, mas devido a uma Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é possível importá-la para uso pessoal. Trata-se de uma situação parecida com a do Canabidiol, que era utilizado para tratamentos, como o da epilepsia e da doença de Parkinson, antes de ter sido registrado no ano passado.
 

Na Clínica Beneva, onde hoje Bruno é médico diretor, os pacientes podem procurar por ajuda no processo de importação e, mais importante, auxílio clínico durante a experiência. Em geral, as pessoas recebidas na clínica têm problemas com abuso de álcool, cocaína ou crack.
 

“O exemplo clássico é aquela pessoa que acorda de manhã tremendo, vai para o trabalho e para no bar, toma uma uma pinga, equilibra, trabalha o dia inteiro e no fim do dia, voltando para casa, já tá tremendo de novo”, descreve Bruno. Segundo o médico, a Ibogaína age em duas frentes. É parte do seu efeito o aumento das conexões entre neurônios, ou seja, como outros psicodélicos, ela fomenta a neuroplasticidade. 


Aliado a isso, os pacientes passam por um período introspectivo, em que passam por memórias do seu passado enquanto seu cérebro se mantém num estado que se assemelha a um sono profundo, mesmo acordado. A reflexão profunda, aliada ao reequilíbrio nos neurotransmissores, permite que a pessoa pense com mais clareza sobre seus próximos passos. “A gente até brinca com o paciente que o cérebro dele vai voltar a um estado de equilíbrio semelhante ao que era na véspera dele usar alguma droga pela primeira vez”, menciona o médico diretor da Clínica.

Algo que destaca a Ibogaína para esse tipo de tratamento é a sua eficácia apontada em estudos iniciais. Um estudo da Unifesp, que analisou o caso de 75 dependentes químicos, usuários de álcool, cocaína e crack, que passaram pelo tratamento com Ibogaína. Além de não terem sido observadas fatalidades ou adversidades sérias, 61% dos participantes ainda estavam abstinentes.
   

Isso é significativo já que não há alternativas eficazes de tratamento para o vício. A internação, por exemplo, não tem eficácia comprovada e em muitos casos é contraindicada. Além disso, grupos como o Alcoólicos Anônimos (AA) tem sua eficácia debatida. A participação é gratuita, e pode ser interessante para criar uma rede de pessoas que se apoiam, no entanto, o grupo acaba sendo eficaz apenas para uma minoria, já que parte das pessoas que sofrem com a dependência também acabam reclusas socialmente.
 

A raiz psicodélica, entretanto, pode apresentar riscos. “O problema da Ibogaína é a cardiotoxicidade. Ela bloqueia canais no coração que fazem com que ele, no primeiro momento, bata muito devagar e, sem intervenção, ele resolve consertar isso sozinho e começa a bater rápido demais”, adverte Bruno.
 

Apesar da pesquisa escassa sobre o assunto, a principal hipótese é que o problema esteja relacionado a rastros de cocaína e seus derivados, como o crack na corrente sanguínea. No fim, isso reforça a importância do acompanhamento de um profissional de saúde no uso terapêutico dos psicodélicos.

 

 

I Não se mergulha sozinho

 

A PAP é um dos modelos mais comuns entre os estudos de eficácia. Há divergências, no entanto, se esse seria o melhor modelo para o tratamento de doenças como depressão e ansiedade. “Eu diria que a grande questão da PAP é o preço, porque hoje já se fala em terapias que vão custar na ordem de 20 mil dólares, então não resolve o problema”, critica Dráulio de Araújo.
 

A maioria dos psicodélicos tem efeitos que duram algumas horas, então pagar pela presença de dois psicólogos por algumas horas a cada experiência com psicodélico elevaria o preço da terapia. No Brasil são mais de 12 milhões de pessoas afetadas pela depressão, a grande maioria não teria condições de pagar um valor tão alto no tratamento. “Se custar 5.000 reais já não funciona, já deixa de ser acessível, 100 mil é impossível ”, reforça o pesquisador.
 

A acessibilidade é uma das dificuldades da implementação dos psicodélicos no meio terapêutico. Para ele, o modelo de intervenção, onde o psicodélico é administrado uma vez, poderia ser uma opção mais eficaz nesse sentido. Além disso, em próximas pesquisas, sua equipe pretende trabalhar com o DMT isolado, que tem um efeito intenso, porém mais curto.
 

Outro papel importante, que atualmente a ciência desempenha, é o de compreender e divulgar os protocolos que tornam o uso de psicodélicos seguro. Para falar do assunto, Dráulio traça um paralelo entre a viagem psicodélica e um dos esportes radicais que já praticou: “No mergulho, você não deve mergulhar só, assim como você não deve mergulhar numa experiência de psicodélico sozinho”.


O pesquisador conta que, mesmo conhecendo mergulhadores que fazem a caça submarina sozinhos e nunca tiveram problema, a prática não deixa de ser arriscada. No caso dos psicodélicos é importante a presença de uma companhia sóbria, além de um ambiente seguro e atenção para a dose, assim diminuindo o risco de uma experiência desafiadora.
 

Mente Expandida

©2023 por Bruno Azevedo e Vitor Tenca

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